Definição de namoro

Nos dias de hoje o namoro tem sido posto de lado, pois o costume de 'ficar' tem sido cada vez mais frequente, e isso faz com que muitas pessoas tenham duvidas sobre o que é um namoro. A locução na medida em que vem registada em dicionários de língua que habitualmente registam locuções nos seus verbetes (por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciência/Verbo, 2001 e no Dicionário Houaiss, do Círculo de Leitores, 2002).Não há qualquer razão linguística para não usar a referida locução, a não ser a sensibilidade e a ... Definition of namoro in the Definitions.net dictionary. Meaning of namoro. What does namoro mean? Information and translations of namoro in the most comprehensive dictionary definitions resource on the web. Namoro significa a relação afetiva mantida entre duas pessoas que se unem pelo desejo de estarem juntas e partilharem novas experiências. É uma relação em que o casal está comprometido socialmente, mas sem estabelecer um vínculo matrimonial perante a lei civil ou religiosa.. No Brasil o Dia dos Namorados é comemorado no dia 12 de junho. Em alguns países, comemora-se no dia 14 de ... Veja o significado / definição de namoro no Meu Dicionário, o dicionário da língua portuguesa. A palavra namoro quer dizer: (forma do verbo namorar) substantivo masculino, ato ou efeito de namorar... A falta de definição nos relacionamentos atuais tem causado uma grande confusão na cabeça das pessoas. Namorar, ficar, sair juntos - se tornou mais um divertimento, uma distração, do que propriamente um processo de conhecer a outra pessoa com o objetivo de determinar se é adequada para um futuro casamento ou não. Casais de todas as idades, e em todos os tipos de relacionamento, utilizam aliança para simbolizarem sua união e a força do sentimento de ambos.A aliança de namoro, geralmente, é um objeto simples no qual sua maior beleza está em seu significado, porém, o casal pode escolher um modelo mais elaborado para representar a sua união. Consulte o significado / definição de namorado no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o dicionário online de português contemporâneo. Viana do Castelo é o distrito com mais casos; seguem-se Aveiro e Lisboa. Em 2008 foram feitas 104 queixas de violência doméstica no namoro - casos que muitas vezes degeneram em violência também no casamento. Diário de Notícias, 22.11.2009 Namoro é a condição ou o estado de comprometido. Quando duas pessoas têm uma relação amorosa e que ainda não estejam casadas, diz-se que são namorados. O termo também se refere ao tempo que dura esse estado de relação. Por exemplo: “O nosso namoro foi bastante comprido”, “O namoro da Carolina e do Miguel já tem uns cinco anos”, “Cá para mim, este namoro vai acabar em ...

Minha mãe foi babaca por dizer que eu perderia o apoio da família inteira por conta de uma escolha minha?

2020.06.09 04:18 Flavio_TV Minha mãe foi babaca por dizer que eu perderia o apoio da família inteira por conta de uma escolha minha?

Olá Lubinha (vulgo Lubixxco), Editores, gatas e gatos, presentes e ausentes papelões, inexistentes convidados, turma que está a ver, quarentenados e pessoal do reddit. (Sou nordestino rs) Essa minha história é sobre como quase perdi o apoio da minha família por conta de uma escolha minha considerada “errada” pela minha mãe. Pois bem, essa história é um pouco longa, mas vou tentar resumir o máximo, pois ocorreram muitas coisas nesse período. Foi no começo do ano, eu tinha acabado de sair de um relacionamento e passado por um pequeno “trauma” (coloquei as aspas pois não considero um evento tão traumático, porem me deixou marcas), sofri assedio pelo meu professor de música (posso contar melhor sobre essa história num próximo post). Como minha relação com minha mãe é bastante bacana, ela me ajudou a superar isso. Eu sou um cara que ainda não possui uma definição para a minha orientação sexual, já tive relacionamento com mulheres, porém não com homens e sempre tive a curiosidade de saber como é, pois já senti um certo interesse por isso. Eu tinha um certo interesse por um guri com o nome de Carls que me fazia querer saber como seria (nessa época, já tava namorando). Pouco tempo depois do término do meu namoro, entrei em contato com o Carls que sempre admirei e gostava muito, porém nunca tive coragem de avançar nossa relação (minha orientação sexual sempre foi um tanto que confusa pra mim, porem sempre deixei fluir pra ver no que dava), ele era um cara bastante interessante pra mim, que me deixava fascinado com sua performance. Eu já havia comentado com minha mãe sobre isso (antes de eu namorar), porém ela nunca entendia e sempre ficava confusa sobre esses assuntos. Particularmente, pelo fato dela não saber lidar com isso, ela tem um pequeno preconceito por esse tipo de coisa, ela me disse para ter calma e que talvez não era isso o que queria, fiquei bastante confuso, porem resolvi esperar. Depois de nós termos trocado mensagens, fui contar a minha mãe sobre ele e o que eu realmente queria, imediatamente ela brigou comigo pelo fato de eu ter recém-terminado um relacionamento e já estava querendo partir pra outro, ela ficou extremamente com raiva dizendo que eu devia dar um tempo para pelo menos respeitar o momento, porém eu não via o tal momento para ser respeitado, ela ficou muito nervosa com a situação, ainda mais por eu ter dito que tinha interesse num relacionamento homo afetivo. Então eu disse pra ela “Mas isso é minha vontade, não posso controla-la”, então ela me colocou contra a parede na seguinte frase que me disse “Então você vai ter que escolher entre o apoio da sua família e ele”. De repente fiquei em choque, não consegui responder nada, e logo minha mãe saiu de onde eu estava, fiquei simplesmente sem reação. Poucos minutos, chegou a minha irmã querendo conversar sobre isso, eu disse que não queria, mas logo ela me convenceu. Quando comecei a falar, não consegui segurar as lágrimas e chorei muito (como se meu mundo desabasse), falei tudo que sentia pra minha irmã, que estava extremamente confuso e chateado com ela, como minha irmã está estudando psicologia a conversa ficou muito mais agradável. Como minha irmã percebeu que eu não estava nada bem, ela imediatamente me mandou ir a um psicólogo para tratar desse problema para que ele não generalizasse e futuramente se tornar um trauma (ela não poderia me tratar pois psicólogos não podem tratar parentes e familiares, segundo o que ela disse). No início fui contra pois eu tinha muitos estereótipos de psicólogos achando que só pessoas com depressão que deveriam ir, mas logo me convenci a ir e gostei bastante da terapia (graças a Deux hoje estou muito bem, obrigado por preocupar rs), inclusive recomendo a qualquer um ir a uma terapia pois é simplesmente ótimo a experiência. Logo após estes eventos, minha mãe me pediu desculpas pelo que ela falou e eu sem contestar nada a perdoei, pois não queria nenhuma desavença com a minha mãe. Eu expliquei pro rapaz que conversava sobre o pq de eu não poder mais conversar com ele, ele super entendeu a situação e acabamos por se despedindo um do outro para não ter mais essa confusão (se não tivesse apagado a conversa, teria mandado alguns prints da nossa conversa). Agora fica a pergunta: “Minha mãe foi babaca por dizer que eu perderia o apoio da família inteira por conta de uma escolha minha? ” , Enfim Lubixco e todos que leram, essa é minha historinha, espero que tenham se entretido um pouco e Bjsss =>30. ❤
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2019.07.27 11:13 EuSoQueroQue Para vc que amei

(Escrevi essa carta pensando em não mostrar para ninguém. Mas não teve o efeito que eu esperava. Quem sabe se outras pessoas lessem)
Oi, tudo bem?
Menos de uma semana atrás eu te mandei uma mensagem sobre um filme que assisti. Dessa vez vc respondeu. Foi educada, mas não continuou a conversa. Para mim foi o suficiente para achar que desta vez a msg tinha alguma chance de virar uma conversa, então fiquei tentando pensar em como puxar assunto. Não quis usar perguntas pq não queria fazer vc se sentir obrigada a responder. Pensei em te contar sobre a minha vida, que mudou bastante nos últimos 2 anos.
Mas achei que esse seria um bom assunto para quando finalmente conversarmos em pessoa. Acabei escolhendo um elogio, a maravilhosa habilidade que vc tem e sempre me deixou com inveja foi a capacidade de ter assuntos e manter uma conversa saudável. Mandei essa mensagem,
Agora acho que vc pode estar interpretando como se eu estivesse sendo "passive-aggressive", como que reclamando de vc ter sido "apenas" educada e não continuada a trocar msgs.
Eu odeio que a parte de mim que tenho te mostrado nos últimos 10 anos foram de msgs nos momentos que estive mais triste, solitário ou fragilizado de alguma maneira. Toda vez que paro para pensar, sei que estas msgs só servem para te afastar ainda mais de mim. Mas, acho que saber que vc está do outro lado, ainda que não me ouvindo, tem me feito bem.
Anteontem te mandei outra mensagem. Desta vez mais parecida com uma conversa saudável. Contei que mudei de emprego, de cidade, perguntei como vc está. Dessa vez o resultado foi muito diferente. Não quanto a sua resposta, mas que poucas horas depois de enviar a msg a minha "crise" atual melhorou bastante. Ao ponto de achar que eu estava bem, pelo menos até a próx crise daqui 2 ou 4 anos.
Foi pensando nesse bem estar que resolvi escrever esses sentimentos. "Talvez seja o processo de transformar seus sentimentos em palavras que tenha tido o efeito benéfico." Decidi que, da próx vez que eu realmente precisasse dizer alguma coisa, escreveria neste papel. Não demorou para meus pensamentos estarem cheios de novo.
Assisti um vídeo sobre relações abusivas, e me corta o coração identificar atitudes minhas como as de um namorado abusivo. Eu me odeio por todo mal que já te fiz e nem pedi desculpas. (...) Agora me lembro que eu cheguei a me desculpar por ter te ignorado naquele churrasco, mas o verdadeiro peso daquelas ações só entendi agora, que o vídeo citou explicitamente que ignorar seu parceiro em um ambiente público é uma atitude abusiva e altamente prejudicial.
Hoje eu entendo que usava o silêncio como uma arma contra você. E só posso imaginar o quanto isso te machucou.
(...)
Passei alguns minutos discutindo comigo mesmo se deveria escrever pensamentos que provavelmente irão te afastar ainda mais de mim. Escrevo com o sentimento de te mostrar, mas sem intenção real de te enviar ou mostrar esse caderninho. Por isso mesmo não faz sentido não ser honesto com o papel. Oras, ser menos honesto e escolher quais pensamentos escrever são resquícios do comportamento manipulativo meu. Como se mesmo uma carta de desabafo, que nunca será mostrada devesse ser escrita com a intenção de te convencer a conviver de novo comigo.
Até pq se eu não consigo expressar meus sentimentos para um pedaço de papel, como poderia expressá-los para você?
Os pensamentos, que meu lado medroso queria deixar de fora desta carta, era que se eu consigo hoje identificar atitudes tão tóxicas em como eu era quando estávamos juntos, provavelmente existiam outros que eu nem entendo como problemáticos. Pensei também que, quando vc me ignora nas estúpidas msgs que envio, está apenas se protegendo de uma pessoa... tóxica? abusiva?
Eu já não sei o quanto estou sendo realista ou apenas sendo auto depreciativo. Esse comportamento provavelmente é outra característica abusiva minha.
Não sei se chegou a ver o filme "before the sunset", imagino que ainda não. Passou menos de 1 semana desde que te disse para ver.
Eu gostaria muito de te dizer que quis te recomendar o filme principalmente por 2 motivos:
O tom da conversa que os personagens tem. Como se o tempo que passou não fizesse diferença nenhuma e eles fossem bons amigos durante todos estes anos. Queria que vc lêsse as minhas msgs para vc com esse tom, de maneira meio leve, meio pesada, mas principalmente honesta.
Eu sei que, em termos de voltarmos a ficar juntos, não entrar em contato e deixar o acaso nos juntar seria mais efetivo. Mesmo que demorasse muitos anos. Mas só de pensar em isso não acontecer eu sou tomado por uma tristeza, um sentimento de vazio.
O segundo ponto do filme que queria muito conversar com vc, é quando a mulher diz: "I was fine until i read your book"
Com ctz vc já percebeu que isso acontece bastante comigo. A maior parte das vezes eu me lembro de vc com saudades e carinho, e um gosto bitter sweet que fica na boca. As vezes, como essa de agora, a saudade fica demais. Eu não me controlo e acabo mandando alguma msg torcendo que encontre vc em um momento parecido, e consiga transformar a distância entre nós em uma conversa como a do filme.
MAS, eu nem sei se vc tem a mesma saudade que eu sinto por vc. Quando penso em como fui com vc, imagino que fui apenas uma fase ruim, que vc seria mais feliz se não tivesse me conhecido. Ao mesmo tempo, eu me recuso a acreditar que seja possível sentir tanta saudade de alguém que não sente a sua falta.
Acabo me convencendo que a única diferença é que vc tem um auto-controle melhor que o meu. Que as suas crises de saudades acontecem, quando alguma música ou filme te lembram de mim, mas que vc não me procura de maneiras bobas como eu faço com vc.
Me lembro de uma vez que vc me pediu uma receita, que fazia quase 9 anos que não comia aquilo. Eu devo ter te respondido de algum jeito ruim, pq quando te perguntei dos cookies que vc fez para mim um dia, não me respondeu mais. Essa vez eu fiquei muito confuso. Inicialmente achei que vc queria conversar como amigos apenas, mas quando não me respondeu pensei que vc continuava com aquela filosofia boba de "ex bom é ex morto". Fiquei com raiva. Vc me ignorava quando eu tentava algum contato, mas me pedia coisas qdo tinha algo a ganhar.
Quando a raiva passou, pensei que poderia ser saudade que te fez mandar as msgs, e não sabia o que fazer com essa possibilidade. Eu queria que fosse verdade, como se uma confirmação que eu fui importante para vc como vc foi para mim.
(...)
Agora, escrevendo, me lembro de vc comentando que eu pedi um tempo no namoro "do nada" ou algo do tipo. Metade dos motivos eu tenho ctz que já tinha reclamado para vc antes, e vc não fez esforços para melhorar. Era o jeito como vc tratava seus amigos homens, dando muita liberdade, inclusive quanto a contato corporal, de abraços por trás e cócegas. Essas atitudes me machucavem tanto nos meus ciúmes quanto nas minhas inseguranças. Aquele dia que eu tentei fazer cócegas em você e não consegui me incomoda até hoje. Ver um amigo seu te fazer cócegas, o jeito que vc ria, acabou comigo naquele momento.
A segunda metade de pq eu quis das um tempo, essa é a parte mais difícil de confessar. Gostaria de te dizer em pessoa, mas muito provavelmente eu nunca vou ter a oportunidade.
Quando a gente já não estava tão bem juntos, apereceu alguém.
Era uma mulher muito bonita e simpática. Acho que tanto eu como ela sentimos uma conexão, daquelas que vc sabe que a outra pessoa tb tem?! Bom, começamos a conversar mais. Me sentir próximo de alguém no mesmo momento que me sentia distante de vc me confundiu bastante. Hoje eu entendo que foi apenas um "crush" e que a gente não controla com quem vai se sentir atraído. Mas na minha cabeça isso era inaceitável. Sentir-se atraído por outra mulher era incompatível com a minha definição de amor.
Se eu tivesse na época o pouco de maturidade que tenho hoje, eu saberia que esse sentimento não significava nada. Que não havia necessidade de passar nenum dia longe de vc.
Lambrar dos meses seguintes, quando tínhamos separado mas não de verdade, Vc quis voltar a ficar juntos, eu não quis. Depois eu quis, vc não. Aí inverte mais uma vez, e depois outra. Como se fosse um problema de desencontros ou timing.
Mesmo quando estávamos namorando, toda vez que acontecia a menor das brigas eu demorava para processar meus sentimentos. Até lá vc já tinha se cansado de tentar me animar, tentar me ajudar a me abrir mais. Então, quando eu finalmente superava o motivo inicial da briga, vc estava agora chateada comigo por ter sido tão frio e distante durante a briga.
Talvez se vc tivesse mais paciência com a minha demora em digerir emoções. Talvez se eu fosse mais maduro emocionamente. Eu já não sei mais.
Só sei que é tarde demais para pedir desculpas. Eu imagino que vc me veja como o ex abusivo, que ainda tenta entrar em contato apenas para ser manipulativo. Mas eu só quero que vc saiba que eu estou pensando em vc. Que eu te vejo como a pessoa mais importante a passar na minha vida até hoje.
Eu só quero que vc saiba que eu te vejo como no filme, que um dia vamos nos encontrar, sem horários, sem relacionamentos, e que nesse dia nós vamos conversar natural e honestamente, e se não for para ficarmos juntos, que pelo menos eu consiga te pedir desculpas.
Desculpas por todas as lágrimas que eu te fiz derramar.
Desculpas por todas as brigas que não deveriam ter existido.
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2019.07.07 23:07 almofarizdosombra Feedback sobre texto

Nos últimos tempos, tenho andado a escrever uma pequena história e gostava de ter algum feedback. Já mostrei a alguns amigos, mas queria obter outro tipo de feedback menos parcial. O objetivo não é necessariamente publicar, mas também melhorar e aprender algumas coisas. Deixo aqui os primeiros três capitulos. É um romance dramático. Desde já obrigado a quem tirar um pouco do seu tempo para ler. Qualquer tipo de feedback é apreciado.

I
Sempre Bem
Sinto o seu cabelo suave enquanto lhe acaricio a cara lisa e macia. E linda. Muito linda. Aqueles cabelos sempre foram a minha perdição. Pretos, encaracolados, macios e cuidadosamente bem tratados. Mas não se pense que sou fraco, afinal até os homens mais fortes têm fraquezas. Vide o exemplo do Super Homem, individuo possuidor de uma super força, uma super velocidade, invulnerável até à mais poderosa bomba nuclear. Exceto à kryptonite. Com as devidas diferenças, eu acredito que sou um Super Homem. E aqueles cabelos são a minha kryptonite.
Ela agarra-me a mão como ninguém sabe agarrar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
Aproximo-me até estarmos quase colados. Ela está estranhamente calma. Eu estou estranhamente calmo. É como se já soubéssemos o que vai acontecer. Na verdade, não era difícil de advinhar. Há coisas na vida que são inevitáveis como o céu ser azul, depois de sábado ser domingo ou a morte. Mas mesmo nas inevitabilidades, a vida consegue ser imprevisivel. Peguemos no exemplo da morte: toda a gente sabe que vai morrer, mas não sabe quando, como, onde nem porquê. Até há quem já esteja morto e ainda não saiba. Mas eu não gosto de pensar na morte. Eu, qual Super Homem, estou sempre bem.
Os nossos lábios tocam-se ou pelo menos eu acho que sim, mas não tenho a certeza. Não tenho a certeza porque não sinto. Nada. Todo aquele momento inevitável que era suposto ser o pináculo da nossa relação até então, tantos rios que fizemos para desaguar naquele mar e agora estou adormecido. Vem-me à cabeça Let It Happen de Tame Impala.
It's always around me, all this noise, butNot really as loud as the voice saying"Let it happen, let it happen (It's gonna feel so good)Just let it happen, let it happen"
All this running aroundTrying to cover my shadowAn ocean growing insideAll the others seem shallowAll this running aroundBearing down on my shouldersI can hear an alarmMust be morning
É mesmo de manhã. Pego no telemóvel para ver as horas: 7:30. Foda-se, já estou atrasado. Procedo à minha rotina matinal: desligo o alarme; levanto-me da cama; ligo a torneira para aquecer a água; vou buscar a toalha e a roupa interior; sento-me na sanita a pensar na vida enquanto espero que a água aqueça; tomo banho; volto ao quarto para me vestir; como o pão com manteiga e bebo o café que a minha magnífica mãe pôs na secretária enquanto estava no banho; arrumo o PC e o carregador na mochila; ponho os headphones e ligo o Spotify. Tudo isto em meia hora. Não sei se é rápido ou lento, mas já sigo esta rotina há tanto tempo que o faço inconscientemente.
No caminho até ao autocarro, cruzo-me sempre com quatro cães. O primeiro é pequeno e peludo e traz consigo uma certa inocência e fragilidade; o segundo é já bem mais forte e imponente, mas muito calmo e pacífico. Acho que nunca o vi a ladrar ou sequer agitado o que não é muito normal para um cão daquela envergadura; o terceiro é a personificação do ditado “cão que ladra, não morde”; por último, mas não o menos importante, um pouco mais distante dos outros três, está o meu favorito: um pastor alemão de médio porte, tristonho, solitário e carente. Não sei o que se passa com ele, mas, seja a que hora for, está sempre deitado no chão no mesmo cantinho a olhar para a pequena porta gradeada à sua frente, esperando uma alma caridosa que passe para lhe dar o carinho que ele necessita. E eu bem tento, mas ele não me deixa. É bem jogado, eu não sou de confiança. Dejá vu. Tenho tanta pena dele que até já pensei em raptá-lo para lhe dar uma casa em que ele seja amado. Até comentei isso com ela.
Nós falamos tanto. Não me lembro da última semana que passei sem falar com ela, seja por mensagens ou (o meu favorito) pessoalmente. Por vezes estou eu perdido nos meus pensamentos como muitas vezes acontece e dou por mim a pegar no telemóvel e mandar-lhe uma mensagem. Falamos da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Ela tem uma cadela linda. Gosto tanto dela que é o meu wallpaper do telemóvel.
Já cheguei e nem reparei. Faço isto tantas vezes que já é automático. Instantâneo. Às vezes gostava que não fosse assim, que tomasse mais atenção ao que me rodeia, que aproveitasse mais os momentos, mais lentamente. Na verdade, neste caminho rotineiro, só há duas coisas às quais presto atenção e vejo com olhos de ver: cães e mulheres. Os cães iluminam o meu dia e aquecem o meu coração de tão fofos e inocentes que são. As mulheres fazem-me viajar. Por cada uma que passo, reparo nos seus traços, na sua postura, no seu olhar e imagino que aquela pode ser o amor da minha vida. Mas não é. Nunca é. E ainda bem para elas, certamente estão melhores sem mim. Dejá vu.
Chego ao portão e vou buscar o telemóvel para ver qual é a sala. Tenho uma mensagem do Diogo. «Não vens à avaliação?». Foda-se, esqueci-me. Não faz mal, eu safo-me, estou sempre bem.
II
Música Fria
“Isola-se a incógnita no primeiro membro e passa-se tudo o resto para o segundo membro com a operação inversa”.
Olham todos para mim com raiva e inveja. Outra vez.
“Certo, mais uma vez, mas na próxima não quero que sejas tu. Quero ouvir os outros”.
Eu não pedi isto. Eu não tenho culpa. Parem de olhar assim para mim. Enfio a cabeça no caderno e tento afastar os olhares, a inveja e a raiva da minha cabeça. Foca-te. Pensa em momentos melhores. Respira. Quem me dera que a Filipa gostasse de mim. Não, é impossível. De todos os pretendentes, nunca me iria escolher. Quando tens pretendentes muito mais fortes, confiantes e experientes, porquê escolher o mais fraco? Para não falar da beleza dos candidatos que é um fator muito relevante nestas discussões. Aí a diferença é abismal. A única vantagem que tenho é que somos amigos, mas a amizade não conta muito nestas coisas.
Dou por mim a resolver o resto dos exercícios. Já é automático. Instantâneo. Para mim, a matemática corre-me nas veias. Quem me dera que fosse assim nos outros aspetos da vida. Quem me dera que todos gostassem de mim. O meu sonho é que um dia toda a gente goste de mim. Vai ser tão fácil viver sem os olhares de julgamento, a inveja, o ódio.
Levantam-se todos, é hora de intervalo. Dez minutos a respirar ar fresco enquanto dou voltas à escola. Apesar de tudo, uma pessoa tem que se manter em forma. Se passo o dia numa sala e as aulas de educação física são o que são, como é que é suposto manter a forma física? Além disso, não tenho mais nada de interessante para fazer. Os temas de conversa são aborrecidos, não aprendo nada. E se não estou a aprender ou a evoluir é uma perda de tempo. Encontro a Filipa ao voltar para a sala. “Vais ficar hoje?”. Hoje é a reunião dos pais e normalmente a turma toda fica lá fora à espera deles. É melhor que ficar em casa sozinho com fome à espera que a tua mãe volte para te fazer o jantar. Assim pelo menos posso comprar um Snickers na máquina para enganar a fome. “Não sei.”. “Fica. O que é que vais fazer em casa sozinho?”. Eu já sabia que ia ficar. Estava só a fazer um teste para ver se ela se importava.
As aulas da tarde são sempre a mesma coisa. O que é habitualmente uma turma irrequieta, está agora apática.
“Dom João quarto casa com Luísa de Gusmão a 12 de janeiro de 1633”.
Quem me dera viver nesta época. Era tudo tão mais fácil. Evitava-se todo este jogo para descobrir se aquele era realmente o amor da tua vida, se vale a pena continuar, se vale a pena tentar ou se o amor da tua vida existe sequer. Simplesmente combinavas com outra pessoa que iam ser o amor das vossas vidas. Dava jeito a toda a gente. Evitava-se todo o tipo de confusões, dramas e lamúrias. Há quem diga que isso é que traz a magia às coisas. Eu digo que é uma merda. No modelo antigo, pessoas como eu podiam ser felizes. Assim, a possibilidade é bastante baixa para não dizer nula.
“Qual é a tua música favorita?”, pergunta-me a Filipa enquanto vejo a mãe a passar.
“Não gosto de música”.
“O quê?! Nunca conheci ninguém que não gostasse de música. É impossível. Toda a gente gosta de música.”.
“Eu não gosto”. Desta vez não estava só a tentar ganhar a atenção dela, é mesmo verdade, não gosto de música.
“Vou-te mostrar uma música.”. Olha para o telemóvel e põe uma música. Até não é má.
“É uma música fria”.
Ri-se. “És estranho.”. Diz isto enquanto me olha nos olhos. “Olha quero pedir-te um favor.”.
“Diz”.
“Ando a ter algumas dificuldades com matemática e pensei que tu me podias ajudar. Podíamos aproveitar este tempo e tu vinhas a minha casa fazer os TPC’s comigo. Que achas?”.
Ela não tem dificuldades a matemática. Pelo menos nunca aparentou ter até agora. Ou será que tem? As aparências iludem. “Pode ser”.
Sorri. “Vamos então.”.
É a primeira vez que alguém me convida para a sua casa. Não sei o que esperar, mas vai ter que ser rápido senão a minha mãe preocupa-se. Provavelmente consigo fazer aquilo tudo em dez minutos sem problema.
Afinal é isto. Mesmo que me tivessem dito que ia ser assim, que era disto que devia estar à espera eu não acreditava. Olho para o meu lado esquerdo e vejo a Filipa um bocado abatida. Compreensível. Se para mim foi anticlimático, imagino como terá sido para o outro lado. Tenho que dizer alguma coisa para tentar mudar este momento.
“Gostei da música que me mostraste. Põe outra vez.”. Vejo-a levantar-se, pegar no telemóvel e pôr a música. Acho que resultou. Pelo menos para mim o ambiente está melhor.
III
Tem de Ser
Estico-me para chegar ao telemóvel. “Posso meter uma música?”. Incrível como passados estes anos todos ainda continuo a ter os mesmos hábitos.
“Claro.”. A Sofia olha para mim como se aquele fosse o melhor momento da sua vida e eu fosse o principal responsável por isso. Chego-me perto para retribuir. Beijo-a ao som da Musica Fria. É um bom momento. Por alguns instantes, engana-me. Mas não é ela.
Volto ao telemóvel e abro as mensagens. Já não lhe mando uma mensagem há muito tempo. «Olá». Ela já sabe como isto funciona. Daqui a umas horas, vai-me responder e vamos falar da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Talvez até tenha sorte e receba alguns vídeos da cadela dela.
“Na quarta saio mais cedo. Podias vir aqui.”. A Sofia quer demasiado. É sempre aqui que as coisas começam a descambar. A minha vida amorosa é um ciclo vicioso. Começa sempre no verão e com ele vem uma sensação escaldante, uma energia renovada, a vontade de fazer mais e melhor a cada dia que passa. É por esta fase que ainda não desisti. É por isto que quase vale a pena. Sorrateiro, mas sem piedade, chega o outono. As folhas verdes e viçosas que antes emanavam esperança, estão agora castanhas e cansadas espalhadas pelo chão. É aqui que percebo mais uma vez que ainda não é esta. Não é ela. Aquilo que fazias no verão já não o consegues fazer. É demasiado frio. Agasalho-me para me sentir um pouco mais quente e preparar o inverno. Chega o inverno rigoroso. Todos os anos chega de rompante, sem avisar, sem dó nem piedade. Deixa-me a tremer de frio. Já não faço nada do que fazia no verão, só me apetece ficar em casa à espera que passe a tempestade. Lentamente, chega a primavera. Sinto um cheiro a ilusão no ar, há uma esperança renovada, uma certa vontade de voltar a repetir tudo à espera que desta vez o resultado seja diferente.
Repetir a mesma coisa vezes sem conta à espera de um resultado diferente: a definição de loucura. Todos os génios têm um pouco de loucura e eu, como génio que sou, não fujo à regra. Como génio a minha primeira invenção será um sistema de emparelhamento de casais. Nada dessas aplicações de encontros que há por aí. Nada disso. O meu sistema vai oferecer uma probabilidade de 99,9% dos participantes encontrarem o amor da sua vida. Para isso, os candidatos terão que passar por várias relações com término definido, a fim do algoritmo estudar as suas reações nesse espaço de tempo e também ao término inesperado da relação. Ah sim, esqueci-me de dizer que nenhum deles vai saber quando a relação acaba, isto para fazer com as reações sejam genuínas, com o objetivo de obter dados com a maior credibilidade possível. Também não vão saber quantas relações terão que passar até atingir o tão esperado amor da sua vida ou quanto tempo isso vai demorar. Agora que penso, se calhar este sistema já existe. Se calhar eu estou neste sistema. Se calhar estamos todos neste sistema. Se estivermos mesmo, eu sou a anomalia estatística. O 0,1%. A margem de erro. Não se pode ter sorte em tudo.
“Claro, achas que não ia aproveitar mais uma oportunidade para estar contigo?”. Tretas. Mentiras que eu repito na minha cabeça para me fazer acreditar que é mesmo verdade quando já sei o desfecho desta história.
Ah!, aquela última semana de verão. Acho que desta vez vou já fechar-me em casa no outono. Parece-me que este vai ser rigoroso.
Vejo-a passar no corredor. Ela repara em mim e vem dar-me um abraço. Adoro estes abraços. Ela abraça-me como ninguém sabe abraçar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
“Estás bem?”.
“Estou sempre bem, já sabes.”.
Vou ao bolso e tiro aquelas bolachas que ela gosta. Dou-lhe uma e começo a comer a outra. Adoro ver aquele sorriso que ela faz quando lhe dou a bolacha. É como se soubesse o que aquele gesto significa para mim.
“Não pareces bem.”.
Ela conhece-me demasiado bem. Demasiado até para o seu próprio bem.
“Mas estou, acredita. E tu?”.
“Já estou melhor. Um dia de cada vez.”.
Fico triste que ela não consiga ser 100% feliz. Se há pessoa que o merece é ela. Gostava de fazer mais por ela, mas não posso. Não consigo. Dou-lhe um beijo na testa e sigo para a aula.
«Hoje vou fazer aquela massa que tu gostas <3». A Sofia faz questão que eu não me esqueça dos nossos compromissos. Olho lá para fora e sinto o outono a chegar. Há uma certa beleza e tranquilidade nesta parte. Apesar de saberes que vêm aí tempos mais frios, ficas de certa forma contente porque tens a consciência do que está a acontecer. Assim, evitas ser apanhado de surpresa e, de repente, ficas sem tempo para te agasalhar. E tu não queres isso. Não queres, porque é assim que ficas doente.
Estou cá fora a fumar um cigarro enquanto olho para a porta. Porque é que estou a fumar? Eu só fumo quando estou stressado. Ou será que isso é uma mentira que eu repito para mim mesmo até acreditar, como tantas outras? Mas esta tenho quase a certeza que é mesmo verdade. Eu passo meses sem fumar até que um dia decido fumar um cigarro. Nestas fases nunca fumo mais do que um maço. Eu nem me apercebo quando elas começam porque não é sempre no outono. É como se o meu corpo dissesse que precisa de nicotina e eu lhe desse o que ele quer. Como muitas coisas na minha vida, já é automático. Instantâneo. Lucky Strike. Reza a lenda que tem este nome, porque, antes da marijuana ser ilegal, alguns maços continham um cigarro de marijuana como bonus.
Já chega. Pára e vai fazer aquilo que vieste aqui fazer. Toco à campainha. Se demorar muito, vou embora. Está calado, faz-te homem. Tem de ser. Há coisas na vida que tem mesmo de ser. É como se costuma dizer: o que tem de ser, tem muita força. Tanta força que me consegue empurrar escada acima, até ao quinto direito, para fazer aquilo que eu não quero fazer. Mas tem de ser.
Recebe-me com aquele sorriso que fazia derreter o coração de muitos. És tão boa para mim, Sofia. Foste tão boa para mim, Sofia.
Oh, I have been wondering where I have been ponderingWhere I've been lately is no concern of yoursWho's been touching my skinWho have I been lettingShy and tired-eyed am I today
Sometimes I sit, sometimes I stareSometimes they look and sometimes I don't careRarely I weep, sometimes I mustI'm wounded by dust
Nada dói mais do que o som duma porta a fechar. O impacto foi tão forte que caí para trás. Fico sentado encostado à parede a olhar para aquela porta que se acabou de fechar. Mais uma. Passa mais uma. Eu não quero saber, podes olhar. Sim, estou aqui no chão a chorar enquanto olho para a porta da mulher que acabei de rejeitar. Algum problema? O único problema aqui é tu não seres ela. Quem me dera que fosses. “É ela, não é?! Eu já sabia!”. Ela não te diz respeito, por isso, quando falares dela, falas com respeito. Era o que devia ter dito, mas eu sou fraco. Nestas questões, sou fraquíssimo. Mas se até o Super Homem tem uma fraqueza, eu também posso ter. No entanto, o que é o Super Homem sem o amor? Podes ser o imperador do mundo inteiro, da galáxia inteira, mas sem amor não és homem nenhum, quanto mais Super Homem.
E se eu me atirasse daqui? Será que morria? Se eu morresse, ninguém ia querer saber. Só ela. E mesmo ela ia ficar triste inicialmente, mas depois ia passar. Até é melhor para ela, evita-se a inevitabilidade a que todas as minhas relações se destinam: fracasso. Todas as amizades, todos os namoros acabam por dar mal de uma maneira ou outra e o pior é que sugo sempre um bocado da outra pessoa comigo. Prefiro não estar cá para ver isso acontecer com ela. Até agora pensei sempre na razão de eu ter tanto azar, afinal eu sou boa pessoa. Agora percebi finalmente. Só há uma possibilidade, um denominador comum, uma pessoa em falta: eu.
Chegou a hora de eliminar os denominadores, mas antes disso tenho que lhe deixar uma mensagem para ela saber o quão boa foi para mim. Desculpa.
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2018.05.09 02:57 porco-espinho A menina que mudou minha vida. (E ela provavelmente nem sabe disso)

Tô meio reflexivo nos últimos dias e também estou tentando melhorar minha escrita, então juntando o útil ao agradável, está saindo esse desabafo.
Antes queria falar sobre o que eu acho de mim mesmo, pra dar algum contexto. Acho que minha melhor qualidade é a falta de orgulho, e o fato que sou muito egoísta, sempre me coloco a frente de qualquer outra coisa ou pessoa. Juntando os dois eu acabo sendo alguém que sempre está do lado do time que está ganhando. Mudo de posicionamento e de opiniões como se fosse cueca, muitos me acham hipócrita, provavelmente estão certos. Também sou bom em influenciar pessoas, sempre consigo que as pessoas a minha volta, tenham as ideias que eu acho certas.
Com o contexto criado, vamos à história, tudo começou quando entrei no colegial. Eu odiava escola, sempre fui aquele aluno mediano, mas puxado pra zuera, não estava na lista dos três piores alunos da sala, mas meus pais tiveram que ir na escola algumas vezes. Desde o fundamental eu carreguei comigo um amor pela matemática, era minha matéria preferida, sempre ia bem nela (em física também), mas em todas as outras eu era uma aberração, sempre mendigando arredondamentos pra somar a nota mínima e passar de ano, recuperações e provas substitutivas eram parte do meu cotidiano.
A escola que eu estudava era grande, tinham várias turmas do mesmo ano, é era comum as turmas se comunicarem pra trocar trabalhos e tarefas. Em uma dessas, no meu segundo ano, acabei pegando o MSN da Luiza (nome fictício), uma garota de outra turma que tinha pego o mesmo tema que eu. Adicionei é fui pedir o trabalho para copiar, ela foi muito educada comigo mas negou, não me passou, nem deu uma desculpa, só falou que não ia passar e mudou de assunto. Fiquei meio perdido, não esperava aquilo, já tinha feito várias vezes e sempre conseguia no final, mas ela foi diferente, me deu várias dicas de como fazer o trabalho, mas não me deu ele pronto. Acabei tendo que fazer, não entregar ele significava que eu não teria mais chance alguma de passar direto naquela matéria.Depois disso, passei a conversar com Luiza frequentemente, as vezes na escola mesmo, mas normalmente pelo MSN, ela sempre me ajudava com algumas tarefas do gênero.
Nesse ponto eu preciso falar mais sobre Luiza, ela sem dúvidas estava no top3 das meninas mais bonitas do meu ano, mas ela namorava um cara do terceiro ano. Ela era a menina super dedicada, filha de um casal de professores, ela era a detentora do melhor boletim do ano, era a garota que todos os professores amavam. Totalmente certinha e perfeitinha é a melhor definição que tenho pra ela nesse momento. O tempo foi passando, e mantive esse contato com ela, aliás ela sempre me ajudava, quando eu realmente precisava fazer algum trabalho.
Românticamente meu segundo ano foi bem legal até, tive alguns rolinhos característicos dessa idade, mas nada sério, só ia levando. A coisa melhora logo depois que acaba o ano letivo. O terceiro ano vai fazer a tradicional viagem de formatura e o namorado de Luiza decide que queria aproveitar solteiro. No momento não passou nada pela minha cabeça, só segui minha vida e segui conversando com ela, mas agora as vezes as conversas se alongavam por horas e começaram a ficar mais frequentes.
Quando começou o terceiro ano eu tinha certeza, precisava me aproximar mais dela, era mina única chance. Mas eu não sabia como ela poderia se interessar por mim, eu era só o garoto que tinha problema com as notas, bom em matemática e viciado em jogos de PC e ela era perfeita.
Não tenho muito o que comentar nesse ponto, as coisas foram seguindo naturalmente, até que um dia, aconteceu e tentei beijar ela. Para minha surpresa, fui correspondido, e a Luiza me beijou de volta, foi o início do nosso namoro. Foi uma época mágica, eu realmente fiquei apaixonado por ela e me sentia correspondido. Ela melhorou minha vida em todos os aspectos, meu comportamento, minhas notas, minhas atitudes, minha responsabilidade, tudo influenciado por ela, eu já tinha mudado muito, mas ela ainda ia mudar muito mais em mim.
Mas com isso também vi o outro lado dela, o que antes eu achava uma menina brilhante, agora eu via uma menina dedicada. Ela não tinha facilidade nas matérias, mas sim estudava por incontáveis horas na sua casa, pra manter o nível de excelência. Realmente, não acho que nesses últimos 10 anos eu conheci outra pessoa tão dedicada quanto ela. Outro ponto importante é que é ela era muito sonhadora, com 17 anos ela já tinha a vida dela inteira programada, quando ia casar, quando ia ter um filho, quando ia trocar de emprego, realmente tudo, e eu estava inserido nesse sonho dela, mas eu via que claramente ela conseguiria fazer tudo aquilo sozinha.
Tivemos um ano incrível, terminamos o colegial juntos, tive notas de um aluno normal (e não de um idiota) até nossas famílias já se conheciam e se "gostavam", mas como todo recém formado, entramos pra faculdade. Eu fui fazer computação em uma faculdade da cidade e ela passou em um curso tradicional de humanas em uma faculdade na cidade vizinha. Como todo adolescente idiota eu conheci o mundo das festas da faculdade, primeiro semestre e eu estava sempre tentando ir pra festa, ela também entrou na onda, curtimos muito nos primeiros meses das nossas faculdades.
Só que eu precisava de mais, eu queria curtir aquilo ao máximo e nesse ponto Luiza passou a ser um problema pra mim. Não demorou muito pra tomar a decisão que eu precisava estar solteiro pra curtir aquilo ao máximo. Passei a colocar na cabeça dela que precisávamos terminar, pouco tempo depois tivemos o fatídico dia em que "juntos" chegamos a conclusão que seria melhor para os dois se terminamos. Mas a realidade é que eu já tinha todas as falas e todos os cenários programados na minha cabeça, só precisei fazer ela dizer as palavras, foi fácil eu conhecia ela muito bem.
Nesse momento eu sabia o que tinha feito e sabia que tinha trocado uma vida perfeita, com a menina perfeita e precisava fazer aquilo valer a pena, não importava o preço disso. Foi minha segunda era de ouro, eu curti muito, zuei muito, bebi muito, me droguei muito e segui a vida cheia de exageros. Sempre com o pensamento de que eu troquei a Luiza por aquilo, então eu precisava fazer valer a pena. Meus pais não são ricos, então pra sustentar meu estilo de vida, logo consegui um estágio em programação.
No estágio logo eu vi uma oportunidade pra ser efetivado, mas eu estava concorrendo com outros cinco estagiários, todos em anos mais avançados do que eu na faculdade. Nesse ponto o pensamento de Luiza sempre me voltava, eu precisava da vaga, pra provar pra mim mesmo que eu tinha feito a decisão certa. Em três meses de estágio fui efetivado, depois de muito estudar por conta é trabalhar praticamente o dobro do que era necessário. Levei muito a sério a ideia de Play Hard, Work Hard, essa era minha vida agora.
A história se repetiu mais algumas vezes, e tive uns ascensão bem grande em um curto tempo, tudo graças a Luiza. Nesse ponto ela passou a ser um ideal de vida pra mim, apesar de nunca mais ter tido muito contato com ela, era a lembrança de ter deixado ela, que me motivava à ir pra frente e pra cima. Eu queria provar pra mim mesmo que tinha feito a escolha certa.
Hoje já se passaram quase 10 anos desde que começamos a namorar, e vejo o quanto aquela menina me mudou e o quanto eu ainda colho frutos disso. Tive outros relacionamentos no caminho, mas nunca foram metade do que eu tive com aquela menina que não me ajudou com o trabalho de Geografia. Fui muito mais longe do que qualquer pessoa poderia imaginar, todo mundo sempre achou que eu tinha um dom ou algo especial, mas era bem mais complexo do que isso. Tenho hoje um salário maior do que um governador e participação em três empresas. Hoje Luiza já não é minha fonte de inspiração, mas sempre que dizer o quão importante ela foi na criação de tudo isso, na minha criação.
Desculpa, ficou muito longo, se alguém leu até aqui, obrigado mesmo! Digitei no celular então vou ainda dar uma re-lida e possívelmente editar alguns erros, mas todo e qualquer feedback será muito bem aceito.
Espero que você esteja feliz Luiza. Te desejo tudo de melhor, você é incrível.
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2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
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